TERREMOTOS: POR QUE E ONDE OCORREM?


TERREMOTOS: POR QUE E ONDE OCORREM?
Os eventos sísmicos são fenômenos naturais, que independem da ação do homem. Entretanto, podem também ser provocados por algumas atividades humanas, que alteram ou modificam a Natureza. Para falar desses fenômenos, naturais ou induzidos, é interessante saber por que e onde eles ocorrem. Hoje falarei essencialmente dos fenômenos naturais, os chamados sismos tectônicos.
 
A Terra é uma "bola" com quase 13.000 km de diâmetro, um pouco achatada nos seus polos e formada por camadas de rochas de variadas composições, estados físicos e espessuras. A "casca" da Terra ou sua camada sólida mais externa, conhecida como litosfera terrestre (do grego lithos=pedra) ou camada de rocha rígida, é quebrada em várias partes, como a casca trincada de um ovo cozido. Ou ainda, é como a capa de uma bola de futebol que é formada de várias partes costuradas, com a diferença de que na bola os gomos têm tamanhos iguais. Na litosfera terrestre essas partes têm tamanhos variados e são chamadas de placas litosféricas. Essas placas sólidas, com espessuras variadas, movimentam-se umas em relação às outras, em consequência da movimentação térmica do magma abaixo delas.

 
Por que ocorre a movimentação térmica abaixo das placas litosféricas? Sendo a Terra um corpo quente, com temperatura provavelmente acima de 5.000°C no seu núcleo, muito maior do que a temperatura que estamos acostumados aqui na superfície, o calor flui do seu interior para a superfície.

 
[Lembrando um pouco do que aprendemos em Física, a propagação do calor também no corpo interior da Terra envolve essencialmente dois processos de transferência de calor, a convecção e a condução. A convecção é o processo de transferência de calor que envolve o transporte de matéria, ou seja, material quente se move transportando o calor para um ponto onde o meio está menos quente. Quando o calor é transferido sem o transporte de matéria, como quando uma mão quente esquenta a mão fria, ou seja, sem que partículas de uma mão sejam transportadas para a outra mão, o processo é denominado condução de calor].
Como se sabe, o interior da Terra consiste de camadas de rocha tanto sólidas quanto as fluidas, portanto, a transferência de calor do seu interior nuclear em direção às camadas mais externas se dá através tanto do processo de condução quanto o de convecção.

 
Assim, o magma, que é essencialmente rocha fundida e está localizado imediatamente abaixo da litosfera, na camada chamada astenosfera, apresenta movimentos ascendentes e descendentes, em função da diferença de temperatura entre a base e o topo dessa camada. Esses movimentos ascendentes e descendentes na astenosfera, formando círculos de convecção térmica, também ocorrem na água dentro de uma caneca sobre o fogo: a parte inferior recebe o calor primeiro, fica agitada com o aumento da temperatura e sobe, empurrando a água mais fria para baixo.

 
Os movimentos circulares de massa quente subindo e provocando a descida de matéria menos quente funcionam como se fossem 'rodinhas'. Imagine a fileira de rodinhas que ficam sob uma esteira ou escada rolantes. Quando as rodinhas giram para a direita, a esteira movimenta-se para a direita e quando elas giram para a esquerda, a esteira vai para a esquerda. Portanto, quem faz o papel das rodinhas que movimentam as placas litosféricas sólidas são os processos convectivos lentíssimos de sobe e desce dentro do magma. A velocidade relativa das placas varia de cerca de dois a dezessete centímetros ao ano. Parece pouco? Então imagine esse movimento durante milhões e milhões de anos.

 
A movimentação dessas placas é importante porque tem provocado modificação completa da superfície física da Terra, a superfície que nos é visível, há milhões de anos. Tem mudado a posição relativa dos continentes, eventualmente com a formação de oceanos e até fazendo surgir ou desaparecer ilhas. O que se destavca aqui é que a movimentação das placas litosféricas é responsável pela ocorrência dos terremotos e vulcões. Aliás, foi através do mapeamento dos pontos da superfície onde ocorrem os terremotos (epicentros) e vulcões é que foi possível definir as bordas das placas litosféricas. A teoria que define a Litosfera 'quebrada' em placas em movimento é a conhecida como Tectônica de Placas, o termo de origem grega que significa arte de construir.
 
As bordas dessas placas são os locais onde ocorre a maioria dos terremotos e vulcões, porque, com a movimentação das placas as rochas nesses locais estão sendo continuamente forçadas e, "quando não resistem mais" elas se quebram e liberam a energia acumulada na forma de um terremoto. A erupção vulcânica é o extravasamento da rocha quente derretida que está sempre sob altas pressões, portanto, as erupções vulcânicas ocorrem tanto nas bordas que se encontram quanto naquelas que se afastam. Ou seja, o extravasamento de lavas vulcânicas pode ocorrer onde a rocha quente e fluida encontrar uma brecha para escapar.
As ilhas que formam o Japão ou as Filipinas e também a costa oeste das Américas, por exemplo, estão localizadas em regiões de bordas de placas, o que explica a ocorrência frequente de terremotos e erupções vulcânicas nesses locais. Explica também porque não temos no Brasil, localizado na parte central da Placa Sul Americana, muitos desses fenômenos naturais chamados tectônicos.

 
A cordilheira dos Andes delimita a borda oeste da Placa Sul Americana enquanto a sua borda leste situa-se ao longo da parte central do Oceano Atlântico, onde também existe uma cordilheira no fundo do mar, formada pelo afastamento das placas Sul Americana e Africana. Quando essas placas se afastam, rochas derretidas são expelidas da Terra (magma abaixo da litosfera), como as erupções vulcânicas. Sendo as águas no fundo do mar muito frias, elas resfriam rapidamente essa lava, que se solidifica e forma novo assoalho oceânico e as montanhas submarinas.

 
O afastamento de placas litosféricas, com a formação de nova "casca" da Terra, é contrabalanceado pela colisão de placas e "desaparecimento" de parte da velha "casca". Por isso é que a "Bola Terra" não tem aumentado de tamanho. Um exemplo onde placas estão colidindo é a costa oeste da América do Sul. Essa colisão entre a placa sul americana e a oceânica, denominada Placa de Nazca, provoca uma compressão que tem determinado o "enrugamento" da placa continental com a formação da Cordilheira dos Andes e também um "mergulho" de parte da placa oceânica por baixo da continental.

 
Desta forma, o efeito dos movimentos convectivos ou dos círculos de convecção térmica no material magmático é tal que partes ascendentes do movimento de dois círculos vizinhos provocam o afastamento de placas. Por outro lado, partes vizinhas  convectivas descendentes provocam a colisão das placas.

 
 Na figura esquemática abaixo, Correntes convectivas da Terra (www.sms-tsunami-warning.com), é possível visualizar os efeitos do movimento litosférico e do material magmático subjacente: afastamento dos continentes, formação de assoalho oceânico, mergulho de uma placa sob outra (subducção), formação de montanhas continentais e submarinas (mid-oceanic ridge), etc.. ou seja, a superfície da Terra é construída e modificada com a movimentação das placas litosféricas. Toda essa movimentação provoca a ocorrência de terremotos e maremotos onde as rochas estão sólidas, e as erupções vulcânicas, tanto continentais quanto as oceânicas, com eventuais formação de ilhas.

 

Imagens: 

Criação: TerezaHigashi2012-09-12

Imagem aleatória

Subducção do Pacifico no Japão